Sobre esta xilogravura de Dürer, do auge da Renascença, Michel Foucault comenta, na sua História da Loucura: "(...) em Dürer, os cavaleiros do Apocalipse, exatamente aqueles que foram enviados por Deus: não são os anjos do Triunfo e da reconciliação, não são os arautos da justiça serena, mas sim os guerreiros desenfreados da louca vingança. O mundo mergulha no Furor universal. A vitória não cabe a Deus, nem ao Diabo, mas à Loucura." (FOUCAULT, Michel. História da Loucura. São Paulo: Perspectiva, 1987, p.22)
quinta-feira, 13 de março de 2014
sábado, 1 de março de 2014
GREGÓRIO DE MATOS Descreve a confusão do festejo do Entrudo
SONÊTO
Filhós, fatias, sonhos, mal-assadas,
Galinhas, porco, vaca, e mais carneiro,
Os perus em poder do Pasteleiro,
Esguichar, deitar pulhas, laranjadas.
Enfarinhar, pôr rabos, dar risadas,
Gastar para comer muito dinheiro,
Não ter mãos a medir o Taverneiro,
Com réstias de cebolas dar pancadas.
Das janelas com tanhos dar nas gentes,
A buzina tanger, quebrar panelas,
Querer em um só dia comer tudo.
Não perdoar arroz, nem cuscuz quente,
Despejar pratos, e alimpar tigelas,
Estas as festas são do Santo Entrudo.
Gregório de Matos
Observações sobre o
vocabulário do poema:
Filhó: biscoito ou bolinho feito de farinha e ovos, frito, e, em seguida, passado em mistura de açúcar e canela ou molhado em calda aromatizada de mel.
Fatia: rabanada.
Sonho: doce feito com
massa cozida de farinha de trigo, ovos, leite, frito em gordura e geralmente
polvilhado com açúcar e canela.
Mal-assada: Fritada
(espécie de omelete).
Pulha: brincadeira
maliciosa e de mau gosto que consiste em ato de zoar uma pessoa, levando-a a
fazer perguntas cuja resposta reverte em escárnio dela mesma (tipo “Quem é? É o
Mário. Que Mário? Aquele que te pegou atrás do armário.” e por aí afora).
“Deitar pulhas” aparece com o sentido de fazer, aplicar pulhas.
Tanho: assento de
tábua.
Entrudo: festejos
realizados no Brasil colonial e imperial, que se transformaram no atual
carnaval. O Entrudo de que nos fala Gregório de Matos ocorreu em Salvador (ou
“Cidade da Bahia”, como se dizia na época), por volta de 1690.
Machado de Assis CÍRCULO VICIOSO
Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
– “Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!”
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
– “Pudesse eu copiar o transparente lume,
Que da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!”
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
– “Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume!”
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
– “Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vaga-lume?”
Machado de Assis (em Ocidentais, 1901)
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
domingo, 16 de fevereiro de 2014
sábado, 30 de novembro de 2013
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
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